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O petróleo como base do poder: Trump e a Venezuela
Texto do economista Elias Fragoso, professor aposentado da UFAL e do Cesmac:
“A queda da moral pública se expressa de maneira eloquente no atual teatro geopolítico, exemplificada pela recente movimentação de Donald Trump na Venezuela. Esse episódio, mais do que isolado, é um reflexo profundo da estrutura do poder global, onde os recursos estratégicos moldam narrativas e definem destinos nacionais.
A prisão de Nicolás Maduro, líder que por vinte anos devastou as estruturas econômicas e sociais da Venezuela, vai além de um mero ato judicial. É uma complexa transação geopolítica, onde o petróleo surge como moeda de troca e como ferramenta de dominação estratégica.
Os detalhes da operação revelam nuances que desafiam análises simplistas. A captura de Maduro, realizada com surpreendente resistência baixa, indica articulações subterrâneas cujos verdadeiros protagonistas permanecem ocultos. A facilidade da operação sugere negociações que vão além do discurso público de libertação democrática.
A desqualificação sistemática de Maria Corina – uma alternativa política reconhecida para a reconstrução da Venezuela – deixa claro que o objetivo não é estabelecer uma democracia funcional, mas sim assegurar um governo alinhado aos interesses geoeconômicos dos Estados Unidos.
O cenário geopolítico é revelador: os Estados Unidos buscam reposicionar sua competitividade energética global, com a Venezuela como um território essencial nessa estratégia. A disputa pela hegemonia no mercado petrolífero com a China é o pano de fundo dessa movimentação.
Líderes latino-americanos não tremem por um ideal democrático, mas pela possibilidade de estarem na próxima lista de reordenações geopolíticas. Sua inquietação reflete mais a fragilidade institucional regional do que uma genuína preocupação com justiça.
A operação representa um capítulo na longa narrativa de dominação imperial, na qual os recursos naturais se transformam em instrumentos de poder geopolítico. Trump não veio para libertar a Venezuela, mas para extrair sua principal riqueza estratégica.
A América do Sul continua a ser um campo de manobras, onde os interesses locais são sistematicamente deixados de lado em prol da ambição imperial. O petróleo permanece como a verdadeira moeda de troca nas relações internacionais, com a Venezuela sendo mais um eloquente exemplo dessa dinâmica.
A geopolítica internacional continua a ser escrita com tinta de petróleo, sangue e um cinismo diplomático que transforma nações em meros peões no tabuleiro global.
Muita água ainda vai passar por debaixo dessa ponte…”
P. S. Artigo reproduzido do semanário “Extra”.
Fonte: Portal TNH1 – Alagoas