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Assassino que se entregou afirma ter sido rotulado como ‘empreendedor da Shopee’
Após incluir uma série de diplomas e certificados de cursos que validariam sua formação acadêmica no processo, Renê da Silva Nogueira Júnior, de 47 anos, que confessou ter assassinado o gari Laudemir de Souza Fernandes, de 44, reclamou durante a audiência no Tribunal do Júri que foi “julgado pela imprensa”, sendo comparado a um “empresário da Shopee”.
A declaração aconteceu nesta quarta-feira (26/11), no segundo dia das audiências de instrução, realizadas no 1º Tribunal do Júri Sumariante do Fórum Lafayette, localizado no bairro Barro Preto, na região Centro-Sul da capital. Nesta fase, são apresentados depoimentos, provas e argumentos ao juiz.
Os documentos fornecidos pela defesa ainda serão analisados no decorrer do processo. Os advogados de Renê Júnior anexaram diplomas e certificados de:
- Curso superior de tecnologia em marketing na Universidade Estácio de Sá
- Especialização MBA em Varejo e Mercado de Consumo pela Universidade de São Paulo (USP)
- Programa de Desenvolvimento de Conselheiros na Fundação Dom Cabral
- Curso de Desenvolvimento Pessoal para Líderes na Harvard Business Review Brasil
- Programa de treinamento da Ambev
Em agosto, poucos dias após o assassinato do gari, diversas instituições negaram qualquer ligação acadêmica com Renê. O empresário mencionava em seu perfil no LinkedIn ter formações na PUC-Rio, na Universidade de São Paulo (USP), na Harvard Business School, entre outras.
A Pontifícia Universidade Católica (PUC) do Rio de Janeiro, no entanto, informou não ter encontrado “qualquer registro” do réu, tanto na graduação quanto no MBA (Master of Business Administration).
O julgamento
Conforme divulgado pelo Fórum Lafayette, o segundo dia da audiência de instrução foi encerrado às 11h30. Mesmo se negando a responder perguntas no tribunal, o réu “compartilhou um pouco de sua história”. Durante sua fala sobre o ocorrido, ele mencionou estar sendo “perseguido”, afirmando ainda que “não sabe dizer se o seu casamento com a delegada resistiu ao que ocorreu”.
Durante a oitiva, Renê disse que estava armado no dia dos fatos, pois havia sido ameaçado por um ex-sócio envolvido com jogos de azar, além de relatar que ficou preso no trânsito por 30 minutos naquele dia e que teve a chance de “atirar em outras pessoas, mas não o fez”.
No final da audiência, a defesa do empresário solicitou à Justiça um prazo maior para apresentar um “requerimento sobre a coleta de dados do celular de Renê”. A juíza Ana Carolina Rauen então concedeu dois dias, a partir de 1º de dezembro, para que os advogados apresentem os requerimentos.
Neste segundo dia de audiências, além de Renê, outras quatro testemunhas indicadas pela defesa, sendo três policiais e uma pessoa ligada à empresa onde trabalhava, também foram ouvidas.
Em comunicado, a defesa técnica de Renê declarou que todas as testemunhas presenciais foram ouvidas como informantes “por terem interesse no resultado do processo, uma vez que ajuizaram ação indenizatória”. “Foi comprovado que o réu não foi reconhecido conforme a legislação processual, que os projéteis foram recolhidos por um transeunte não identificado, quebrando claramente a cadeia de custódia da prova, e que o acesso ao celular do acusado foi realizado sem a comunicação prévia de seus advogados, violando o princípio da não autoincriminação. Confiamos que o trabalho seja reconhecido e que resulte nos objetivos desejados”, afirmaram os advogados Bruno Rodrigues e Thiago Minagé.
O crime
Na manhã da segunda-feira, 11 de agosto, por volta das 9h, houve um tumulto no trânsito no bairro Vista Alegre, na região Oeste de Belo Horizonte. Um caminhão de coleta de lixo estava parado quando um carro BYD cinza, vindo na direção oposta, se aproximou. O motorista do carro, Renê da Silva Nogueira Júnior, teria sacado uma arma e ameaçado a motorista do caminhão, dizendo que “iria atirar na cara” dela. Em seguida, ele teria disparado contra o gari Laudemir de Souza Fernandes, que estava realizando a coleta.
O gari foi ferido na região torácica, próximo às costelas, e foi socorrido ao Hospital Santa Rita, em Contagem, mas não sobreviveu aos ferimentos. Após o disparo, o suspeito fugiu no carro BYD cinza e foi encontrado pela polícia no mesmo dia, enquanto malhava em uma academia de alto padrão no bairro Estoril. Ele foi preso sem resistência. Segundo testemunhas, pouco antes de ser atingido, Laudemir teria declarado: “Acertou em mim”. Testemunhas no local do crime relataram que o suspeito “saiu tranquilo e com expressão brava” após disparar na vítima.
Fonte: Portal TNH1 – Alagoas