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Lente de contato beneficia cachorro com grave lesão ocular, permitindo que ele recupere a visão.

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Uma veterinária especializada em oftalmologia conseguiu restaurar a visão de um cão da raça Shih Tzu ao implantar uma lente de contato humana em seu olho. Laís Belli, residente em Itanhaém (SP), relatou ao Terra que, apesar de parecer incomum para leigos, o procedimento é recorrente em sua prática profissional, utilizando técnicas e materiais de oftalmologia humana.

O cachorro foi levado pelo tutor ao hospital sem poder enxergar devido a uma lesão grave no olho, causada por um cílio ectópico — pelos que crescem de maneira anormal através da conjuntiva (a parte rosa do olho) e tocam a superfície ocular (córnea).

A veterinária decidiu usar uma lente de contato humana, pois a cirurgia, embora mais recomendada, não era financeiramente viável para o tutor.

“A lesão era extremamente ampla. Então, qualquer manipulação do paciente representava risco. Até mesmo o ato de piscar poderia comprometer a chance de salvar o olho. Eu precisava encontrar uma solução, já que não havia recursos cirúrgicos disponíveis para agir e garantir o conforto do paciente”, explicou.

O resultado foi bastante positivo. O cão recuperou os reflexos em poucos dias após o uso da lente. Logo depois, foi submetido a um tratamento com colírio, que possibilitou uma cicatrização rápida e sem sequelas. A lente funcionou como um curativo, protegendo o olho da própria pálpebra, já que o movimento de piscar poderia afetar o processo de cicatrização.

“A maior dificuldade técnica, muitas vezes, ocorre quando temos um paciente com um olho muito pequeno. A lente de contato humana é um pouco maior, mas esse paciente específico possui um olho grande”, esclarece.

Ao contrário do que muitos podem imaginar, o uso de lentes de contato humanas em animais não é tão raro. A profissional afirma que aplica “lentes de contato com uma frequência elevada, pois elas oferecem conforto imediato ao paciente e reduzem atritos”.

Segundo Belli, a oftalmologia veterinária se baseia frequentemente na adaptação de materiais e técnicas da medicina humana, devido a limitações financeiras dos tutores e à falta de equipamentos específicos no Brasil — cerca de 95% dos instrumentos, medicamentos e procedimentos utilizados são originalmente humanos, adaptados para cada espécie e condição clínica do animal. Essa prática é comum e aceita, desde que o profissional possua fundamentação técnica e ética para garantir a segurança do paciente.

“Algumas espécies não respondem bem a determinadas medicações. Temos, sim, uma lente de contato de uso veterinário, que é mais fácil de manejar, pois possui pequenos pontos que permitem ao médico verificar se a lente ainda está posicionada, já que não é 100% transparente como a lente humana”, explicou.

Laís menciona que o caso representa um marco pessoal e ético em sua carreira, provando que nem sempre o melhor tratamento é o que envolve maiores custos ou complexidade.

“Minha visão é que nem todos têm condições de arcar com o que a medicina exige. Precisamos aprender a trabalhar com os recursos disponíveis. Não digo que precisamos ser criativos, mas sim éticos e profissionais, e deixar claro para o tutor quais são as opções mais seguras para o paciente. Na nossa sociedade, nem todos conseguem investir R$ 6 mil em um procedimento cirúrgico emergencial, e o olho não espera”, finaliza a especialista.

Fonte: Portal TNH1 – Alagoas

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