Desvios estimados em R$ 5 milhões e que podem ser ultrapassados com o passar da investigação. Essa foi a primeira avaliação feita pela Polícia Federal após uma operação denominada “Cabipe”, que desbaratou um esquema de desvio de recursos públicos e fraudes em licitações nos municípios de Piaçabuçu e Tanque D’árca, que tiveram 26 servidores afastados, inclusive os prefeitos.

Após incursões tanto nos municípios quando em residências na capital alagoana, 130 policiais da Polícia Federal, 10 auditores da Controladoria Geral da União (CGU), recolheram documentos que comprovam os desvios.

Ao todo, foram expedidos 30 mandados de busca e apreensão e 34 mandados de condução coercitiva, nos quais os prefeitos, Dalmo Santana Junior (PSB) de Piaçabuçu e Roney Valença (PMDB) de Tanque D’Arca, foram ouvidos, serão liberados mas estão afastados por determinação judicial por tempo indeterminado.

Com relação aos prefeitos e servidores municipais, a Polícia Federal pediu a prisão temporária de alguns, bem como medidas cautelares para outros acusados. Todos os mandados e pedidos foram feitos junto ao Desembargador Jairo Fialho.

Com isso, os prefeitos afastados ficam proibidos de sequer, frequentarem as dependências da respectiva prefeitura. Em Piaçabuçu, assume a vice-prefeita Doutora Maria Lúcia Marinho Da Silva Carmo. Com relação a Tanque D’arca, o vice Valdemir Lima, não pode assumir e quem fica no cargo executivo é o presidente da Câmara de vereadores Antônio Teixeira de Almeida (PMN).

De acordo com o representante da CGU, Israel Ferreira, foram investigados o destino de recursos repassados pelo Governo Federal, estimados em R$ 20 milhões para os dois municípios e desse montante, aproximadamente R$ 5 milhões foram desviados.

“Analisamos os recursos que foram enviados para estes municípios e constatamos irregularidades, principalmente no que se trata das verbas repassadas para a compra de merenda escolar, pagamento de transporte, combustível e recursos do Fundeb, entre outros programas”, afirmou.

Segundo o delegado federal, Jorge Eduardo, os crimes caracterizam formação de quadrilha, desvio de recursos públicos e fraudes em licitações, que tinham como ordem, a prefeitura forjando processos licitatórios, com empresas ligadas aos próprios servidores.

“A investigação vem sendo feita desde 2010 e foi intensificada no ano passado, quando surgiram novos indícios.”, disse o delegado, que lembrou que neste intervalo, os prefeitos, que vinham sendo investigados, foram reeleitos em seus municípios.

A partir de agora, tanto os prefeitos, como os servidores acusados prestarão novos depoimentos e ficam à disposição da justiça e podem ter as prisões decretadas quando forem denunciados. “O processo segue em segredo de justiça e assim continuará, até a análise dos documentos apreendidos e a denúncia contra os acusados”, afirmou Jorge Eduardo.

Já o superintendente da Polícia Federal em Alagoas, Omar Gabriel Haj Mussi, classificou como minuciosa e eficiente a operação, que poderá ter novos desdobramentos. “O grupo responsável por essa investigação, formado por agentes federais e membros da CGU, continuará trabalhando e não descartamos a possibilidade de novos focos”, afirmou.

Quando afirma que a polícia federal segue a investigação, Haj Mussi se refere aos desdobramentos que podem resultar em novas fraudes, dessa vez em outros municípios. Segundo ele, as empresas fraudulentas são especializadas neste ramo e podem ter ramificações em outras cidades alagoanas.

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