“Descaso” Segurança pública de Alagoas encontra-se na UTI

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O clima é tenso nas Delegacias de Polícia de Alagoas. Presos se amontoam em celas sem as mínimas condições de higiene expostos a todo tipo de doenças. Nelas, os espaços são pequenos, o ambiente é escuro e cheio de entulhos. A falta de energia e o abastecimento de água são constantes e, além disso, a alimentação é precária. Escorpiões, baratas e ratos infestam o local. Os detentos vivem em condições subumanas.

Policiais, sociedade e presos sofrem com o descaso
Policiais, sociedade e presos sofrem com o descaso

Nas delegacias onde deveriam funcionar simplesmente departamentos de investigação, o que se vê são verdadeiros presídios. Os problemas se estendem aos policiais que temem por suas vidas, dos presos e da população que frequentam diariamente as delegacias superlotadas. Exemplo disso são as carceragens de Arapiraca, Batalha, Delmiro Gouveia, Matriz de Camaragibe, Novo Lino, Penedo, Palmeira dos Índios, Santana do Ipanema, São Miguel dos Campos, União dos Palmares e Viçosa.

Nos finais de semana a situação se agrava devido à carência de agentes. São escalados três policiais para custodiar 39 presos, muitos destes de alta periculosidade, como é o caso da Delegacia de União dos Palmares. Além de tudo isso, muitos desses detentos estão enfermos por conta da proliferação de doenças devido às péssimas condições em que se encontram as delegacias em Alagoas. Dois detentos estão com suspeita de pneumonia e tuberculose. Não há atendimento médico. Além da violação dos direitos humanos, a superlotação nas celas prejudica o trabalho de investigação dos policiais.

Os agentes são desviados de suas funções para custodiar presos. E o pior; os policiais são obrigados, em caso de doença, a conduzir os detentos até o hospital para serem medicados e, na maioria das vezes, ficam até à madrugada esperando que a medicação seja concluída para conduzir o encarcerado de volta ao xadrez. Nesse espaço há o perigo de um resgate, já que apenas um policial faz a escolta. Hoje, os agentes atuam como “médicos”, carteiros, carcereiros, conselheiros e faxineiros para os presidiários.

As fugas são constantes e os homens da lei nada podem fazer. Quando eles deixam de investigar para vigiar presos, estão automaticamente prejudicando a sociedade, porque os inquéritos policiais se acumulam, as intimações e mandados de prisão deixam de ser executadas. Além de todos esses problemas, caso o agente se ausente da delegacia para realizar uma diligência ou comprimir um mandado judicial e, nesse espaço, houver uma fuga, ele responderá na Corregedoria de Polícia Civil mesmo sem ter constitucionalmente a obrigação da guarda de presos, ou seja, se ficar o bicho pega se correr o bicho come.

Alheio a tudo isso está o Governo do Estado que não adota medidas para acabar com esses problemas que denigrem e envergonham Alagoas. As escalas dos policiais são 48h por 72h e nas regionais geralmente os agentes são escalados três dias seguidos. Quando se acabam os plantões, muitos deles ficam em estado de choque, o sistema nervoso abalado e o estresse toma conta de seu dia a dia. É humanamente impossível fazer segurança nessas condições.

A 11ª DRP de União dos Palmares é um exemplo do descaso do Governo do Estado; um verdadeiro barril de pólvora. A população carcerária está acima da permitida. Ha capacidade para abrigar 21 detentos, porém, hoje existem 39. Semana passada, três tentativas de fugas foram abortadas pelos agentes plantonistas. Hoje, 17 presos disputam lugar em uma cela, o motivo é que um dos xadrezes está em conserto devido a uma rebelião. Homicidas, traficantes, estelionatários, estupradores, assaltantes e, dois dos maiores matadores da região: Manoel Caetano da Silva, conhecido por “Colírio”; José Wilson da Silva, o “Bochecha”, que mesmo encarcerados, eles ditam toque de recolher, comandam o tráfico de drogas e algumas execuções na cidade. Ambos foram transferidos semana passada; o primeiro para a Delegacia Regional de Viçosa e o segundo para o presídio estadual.

Não só as Delegacias de Polícia vivem em situação de caos absoluto. Os problemas se estendem aos departamentos; a exemplo da Direção Geral e Corregedoria de Polícia que também precisam de melhorias.

Na Corregedoria de Polícia a situação é calamitosa. O efetivo de policiais para realizar as diligências e serviços externos é irrisório. A escassez de material de trabalho é notória. Falta papel higiênico, cadeiras em péssimo estado de conservação, uma melhor acomodação para os visitantes, o espaço bem como as condições de trabalho nas salas dos corregedores chega a ser ridículo e desumano. Documentos, pastas, papéis e ofícios tudo em cima dos birôs e às vezes espalhados pelo chão. Os corregedores disputam espaço com o escrivão, e com aqueles que vão prestar depoimentos. Na maioria das vezes é preciso que haja revezamento, ou seja, um senta o outro fica em pé.

A situação está insustentável. Uma fonte me confidenciou que há na verdade, uma insatisfação generalizada por parte dos que ali trabalham pela falta de respeito e condições para desempenharem suas funções.

O Governo do Estado não sinaliza com melhorias para estes profissionais. Como se pode cobrar uma polícia atuante e que dê resultados? Mas, apesar destas e de outras dificuldades, tanto os agentes quanto diretores e corregedores fazem o que podem para dar uma resposta à criminalidade e prestar segurança a sociedade. Ou se muda essa realidade alagoana ou, caso contrário, viveremos sempre a reboque do crime e dos criminosos.

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